No início do século XIX aporta em Santo Antônio da Patrulha (RS), vindo de Laguna (SC), Paulo Pereira da Silva Alano, filho de açorianos que teve destacado papel na formação do município como integrante da Câmara que dirigiu o Município mais antigo do Estado, liderando depois os Revolucionários Farroupilhas naquela região. Alano foi também chefe da guarda de honra de Dom Pedro, quando de sua estada na cidade em 1826.

Seu neto, o Major Francisco Xavier Alano, juntamente com sua mulher, Anna Ignácia Gomes, tornaram-se fazendeiros no 3° Distrito, CATANDUVA GRANDE, por volta de 1850, no que foram seguidos pelos descendentes, dentre eles o neto ALZIRO MACIEL GOMES, meu avô. ALZIRO MACIEL GOMES, além de fazendeiro, tropeava pelo Rio Grande afora comercializando touros juntamente com meu pai, JOÃO MACIEL GOMES. Em uma época em que não havia leilões e remates, eram os tropeiros que abasteciam as demais fazendas com os touros necessários à reprodução.

Em 1988, após um período de afastamento da “terra” para dedicar-me aos estudos, o sangue, os genes, o coração, ou provavelmente todos eles, fizeram com que eu a ela retornasse para dar prosseguimento a uma autêntica e centenária tradição de amor e trabalho com a criação de gado. Após a morte de meu pai, em 1983, a Catanduva “velha” restou pequena para desenvolver um projeto moderno e rentável de produção pecuária, razão pela qual adquiri, em Cachoeira do Sul, uma gleba onde pudesse implementá-lo. Dediquei-me inicialmente ao “cruzamento industrial”, com a produção de novilhos precoces, mas logo me dei conta de que os custos para produzir touros seriam praticamente os mesmos. E, é claro, haveria um valor agregado. Daí a decisão de, em 1990, dedicar-me à produção de genética de ponta, tendo escolhido a raça ANGUS porque os dados das medições e observações de campo apontavam-na como superior as demais. A influência da Catanduva “velha”, do meu trisavô, e principalmente do meu pai e do meu avô, eram inegáveis; por isso a cabanha não poderia ter outro nome. Esta é, em rápida síntese, a origem da CABANHA CATANDUVA, recomeçada juntamente com minha mulher Ana (in memorian) e meus filhos Fabiana e Fabiano. O 15° aniversário da Catanduva marca a continuidade do projeto, cuja administração passará para minha filha Fabiana.

A história recente da CATANDUVA é de muito trabalho e de muito amor, coroados pelos resultados nas pistas e pelo reconhecimento de uma clientela cada vez maior e mais fiel. Os leilões da CATANDUVA, iniciados em 1995, além de seguidamente baterem records de preços, sempre trazem a maior oferta de RED ANGUS PO do Brasil. As premiações da sua genética, iniciadas em 1997 com CATANDUVA DELEGADO, e seguidas com as de CATANDUVA REENA, GRAMÁTICO, NOSTRADAMUS, MANDALA, MAGÉTICO e MERLUZA, dentre outros, ensejam o conforto e a segurança do rumo certo, bem como o incentivo para avançar.

A CATANDUVA ampliou seu projeto para a República do Uruguai, com a Cabanha “La Coqueta”, que nos anos de 2002 e 2003 foi a mais premiada daquele país, tendo logrado o título de “Cabanha do Ano”. A partir de 2004 foi estabelecida uma parceria com a Cabanha “Lãs Rosas” da Princesa Laetitia D’Arenberg, consolidando ainda mais nossa presença na Expo-Prado e nos remates de primavera.

Um grande abraço e meu agradecimento a todos que nos ajudaram a chegar até aqui.

Fábio Gomes

     
Um projeto com raiz no campo
 

A Catanduva é hoje referência na criação de Angus em todo o Brasil. Mas trata-se, sobretudo, de um projeto executado passo a passo, planejado, experimentado, avaliado a cada resultado. No princípio, em 1988, a opção foi pelo cruzamento industrial utilizando o Angus, o charolês e o nelore, sustentados pela implantação de pastagem, ensilagem e melhoramento do campo nativo. Dois anos depois, um novo rumo é determinado: a produção de genética de ponta. A raça escolhida foi o Angus de pelagem vermelha, que havia demonstrado vantagens determinantes sobre as outras raças, como precocidade, rusticidade, ganho de peso e habilidade materna.

O primeiro desafio foi formar o plantel. Os criatórios de Angus se restringiam basicamente à região de Uruguaiana, na fronteira-oeste do Rio Grande do Sul. E a variedade vermelha (red) era muito rara. Por isso, toda a oferta red oferecida nos remates da fronteira era adquirida pela Catanduva. Essa escassez de oferta levou à decisão de importar animais da Argentina. Cinco anos depois, o primeiro resultado em pista. Na primavera de 1995 o primeiro Leilão Catanduva disponibilizava a maior oferta de touros e fêmeas Red Angus até então no Brasil. Cem Angus vermelhos em pista. E nos anos seguintes segue a marca~ maior oferta de touros e vacas Red Angus do Brasil é sempre nos leilões da Catanduva que, a partir de 2000, passam a ocorrer duas vezes ao ano, no outono e na primavera.

Nesse meio tempo, começam a se estabelecer laços sólidos de amizades, parcerias, novos projetos. Um deles se estabelece além-fronteiras, a parceria com a Cabanha La Coqueta, do Uruguai. Rapidamente a La Coqueta conquistou a condição de principal criatório de Red Angus do Uruguai. Ganhou prêmios importantes e a parceria segue aprimorando genética com aporte de tecnologia, conhecimento e métodos reprodutivos que maximizam a produção.

A produção da Catanduva passou a confirmar nas pistas sua qualidade. O primeiro prêmio significativo foi em 1997: Catanduva Delegado foi Campeão Terneiro e 3° Melhor Macho da Expointer. O primeiro Grande Campeonato veio em 1999, com Catanduva Reena 06. Os prêmios foram se sucedendo, mas o ano de 2004, véspera dos 15 anos da cabanha, é particularmente significativo. Na Exposição Nacional da Raça, realizada durante a Expointer, Catanduva Nostradamus é o Grande Campeão e Catanduva Magnético é o Reservado Grande Campeão. Nessa mesma exposição Catanduva Mandala é a Reservada Grande Campeã entre as fêmeas. E na concorrida pista de Londrina, Catanduva Merluza arrebata o Grande Campeonato. O mercado responde a esse trabalho. No leilão de maio de 2005, Catanduva Harpa é record de preço: U$ 125 mil.

Mas o princípio de tudo segue o mesmo: bons campos, excelência em genética, sanidade, alimentação, manejo. E tudo isso dividido, democraticamente, com o mercado, através da Central Catanduva de sêmen e embriões. Afinal, produção de genética é um bem social. Há muitos anos a cabanha vem utilizando reprodutores próprios, animais descendentes de boas linhagens a nível internacional, mas melhor adaptados ao meio onde vivem. É Angus brasileiro adaptado ao clima e ao campo, pelo curto, de porte médio e melhor resistência aos rigores do verão.

Enfim, essa história de 15 anos segue em frente. Mas, na verdade, começa muito antes: na origem no campo, no trabalho de tantos criadores, na observação diária, na dedicação, na paixão. Porque se não fosse assim, esta história não estaria acontecendo.